segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mudasti???


Inspirada por um artigo no blogue Olha,queres falar sobre isso?, resolvi dar a minha opinião sobre o movimento "Mudasti". Para quem não sabe, esta expressão ficou famosa num anúncio do Nestea. Famosa não será bem a palavra, mas enfim... Agora foi criado um movimento para incluir a palavra "Mudasti" no Dicionário da Língua Portuguesa. Segundo o site oficial a definição seria: "Português, expressão idiomática, o mesmo que “muda de iced tea (trad: muda de chá gelado)”. Imperativo, 2ª pes. sing.. No sentido lato: muda algo na tua vida; evolui; muda as tuas ideias; corta com o passado; persegue os teus sonhos; mantém uma atitude positiva." E eis o manifesto que pretendem apresentar ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior:


To: Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior,
Ex. Mo Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Somos o “Movimento Mudasti no Dicionário”. Representamos todos os portugueses que desejam ver definido nos dicionários da Língua Portuguesa - começando por aquele compilado pela Academia de Ciências de Lisboa - o significado desta nova palavra já utilizada por grande parte dos cidadãos nacionais, independentemente da região de onde são naturais. Defendemos que a palavra “MUDASTI” merece uma chamada no dicionário. Trata-se, de facto, de uma palavra que se impôs no léxico da nova geração e cujo significado já está enraizado na cultura popular portuguesa. Como novo termo do Português moderno, “MUDASTI” começou a ser utilizada em 2005, a partir de um repto publicitário que incitava todos os portugueses a mudar de iced tea (chá gelado). Mas, rapidamente os portugueses se apoderaram da palavra, encontrando nela a definição ideal para incentivar a mudança de um modo geral. Uma palavra curta e facilmente mnemonizável, que se converteu num incentivo ao abandono de um passado pouco memorável e ao agarrar de um futuro digno dos sonhos de cada um. Hoje, são imensas as palavras insignificantes com sentidos imperceptíveis como “opidano”, “ingresia” ou “exaurir” que se mantêm presentes nos dicionários da Língua Portuguesa. Ao mesmo tempo, encontramos nos mesmos dicionários palavras que há muito gostaríamos de ter deixado de utilizar como “crise”, “imposto”, “desemprego” ou “pobreza”. Se palavras como estas têm um espaço no dicionário, “MUDASTI” merece o seu lugar. Gratos pela atenção dispensada, cordialmente, os abaixo assinados:



Para citar o blogue que referi de início: alguém aqui já ouviu alguém a proferir a palavra "mudasti" no dia-a-dia? Eu não! Acham que este disparate faz algum sentido?

Se fosse uma petição para outra coisa mais importante, ninguém assinava. Para esta palavra de que ninguém se vai lembrar daqui por um ano ou dois (ou até menos!) toca a assinar! Pois claro! Isto é importantíssimo (pelo menos para as 644 pessoas que já assinaram esta petição)!

O que me consola é que isto não vai dar em nada. E acho que as pessoas que se lembraram disto sabem-no perfeitamente. Isto tem apenas um objectivo: vender Nestea. Pois, comigo não têm sorte. Nunca gostei de Nestea (acho demasiado doce), sempre preferi o Ice-Tea. Nem a publicidade tem piada!

A moda do "balconing"



Vejam este vídeo. E agora respondam-me, se forem capazes: em que universo é que isto faz sentido? A sério, gostava que me explicassem.

O "balconing" (vem do inglês "balcony", que significa varanda), é um novo "desporto" que consiste em saltar da janela do quarto de hotel e aterrar na piscina. Está a entrar na moda em Espanha. Segundo
um artigo do JN, isto já causou 11 mortes nas Baleares.

Correndo risco de soar "careta", pergunto "O que passa pela cabeça da juventude hoje em dia? O que acham que vão conseguir com isto? O que há de divertido em arriscar a vida?". Juro que não percebo. Não percebo mesmo.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fogo...


Portugal agora é assim: inundações no Inverno, incêndios no Verão. Vários fogos destroem vegetações, casas e pessoas. De norte a sul do país, os bombeiros não chegam para tanto fogo. A população ajuda como pode. E fica a questão: quem começa estes fogos? E porquê?

Já houve dois bombeiros mortos e poderá não ficar por aqui. Os meios escasseiam. E o dinheiro que teria sido mais bem empregue em helicópteros preparados para estes fogos foi gasto em submarinos que muito dificilmente serão necessários.

Quero deixar aqui uma palavra de apreço aos bombeiros que, por todo o país, fazem de tudo para combater estes incêndios; pessoas corajosas que trabalham incansavelmente (muitos deles de graça!) com os poucos meios de que dispõem. É de pessoas assim que precisamos.

E peço chuva. Muita chuva.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Beijos e "Marmelanços"


Há uma enorme diferença entre beijos e marmelanços. Um beijo é normal, saudável e até bonito de se ver. Marmelanços poderão até ser normais e saudáveis, mas não são bonitos de se ver, pelo menos em locais públicos.

A semana passada ia no metro e não pude deixar de reparar num casal de adolescentes que ia sentado num dos bancos. Começaram por dar beijinhos e fazer carícias, mas depressa passaram a outra coisa. Juro que não estou a exagerar se vos disser que só faltava tirarem a roupa para se poder dizer que estavam a ter relações sexuais. A dada altura tinham toda a gente que ia naquela carruagem a olhar para eles. As pessoas que estavam sentadas nos bancos em frente levantaram-se.

Eu não me considero conservadora, muito pelo contrário. Acho muito bem que se demonstrem afectos publicamente, mas aquilo ultrapassava todos os limites. Aquilo não era uma demonstração de afectos, aquilo era, desculpem a comparação, um filme porno do mais rasca que há. Era nojento, desnecessário e de uma enorme falta de civismo. E não estou a falar de adolescentes de 18/19 anos, aquele casal não teria mais do que 14.

Eles saíram uma paragem antes de mim. Imediatamente ouvi uma senhora a comentar: "Era pior se fossem dois homens?". Eu não disse nada, mas fiquei a pensar "Porquê?". Para mim aquela cena é inaceitável de qualquer maneira, seja com um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres.

Alguém deveria ter dito alguma coisa àqueles adolescentes. Incluindo eu. Ninguém disse nada. Porquê? Porque antecipávamos a resposta? Porque não nos queríamos incomodar? Não sei. Pergunto-me apenas se os pais daqueles adolescentes sabem que isto acontece...