sábado, 13 de agosto de 2011

A desculpa da pobreza

Cerca de uma da manhã. Uma jovem dirige-se a sua casa com o namorado quando nota algo de estranho: alguns rapazes entram sorrateiramente dentro de uma escola. A jovem e o namorado desligam as luzes do carro e, imediatamente, ligam para o 112. A polícia chega mesmo a tempo de impedir os rapazes de fazer o que iam fazer: incendiar a escola. Eles conseguiram fugir. Não, isto não se passou em Londres, mas sim em Portugal, na madrugada de hoje. Será que o que se passa em Londres terá tido alguma influência? Certamente. E isso é preocupante.

Os jovens de Londres, creio que a maioria das pessoas concordará comigo, são vândalos e assassinos. São pessoas sem um pingo de decência nem sentimentos, que não respeitam nada nem ninguém. Merecem ser severamente castigados. O que mais me revolta é os motivos que os levam a fazer isso, que são... Quais são mesmo? Ah, pois é: nenhuns. Estes jovens fazem o que fazem por motivo nenhum. Dizem que estão a fazer isto porque são pobres e ninguém se importa. Pois, sabem que mais? Tretas! Tudo tretas!

Eu conheço muitas pessoas pobres. Frequentei, durante anos, uma escola perto de um bairro social, e muitos dos alunos dessa escola viviam lá. Apesar de haver alguns desordeiros (mas a verdade é que também se vê isso em meninos ricos), a maioria dos jovens eram pessoas normais, que viviam a sua vida normalmente. Alguns eram até muito bons alunos! A maioria das pessoas pobres que conheço são pessoas honestas e trabalhadoras, que tentam ter uma vida melhor sem precisarem de destruir a vida dos outros. Sim, porque uma coisa é roubar comida num supermercado porque se está com fome, outra bem diferente é assaltar lojas de telemóveis, incendiar carros e vir à televisão gabar-se do novo plasma que roubaram. Essas pessoas não têm, nem merecem, a minha pena.

Recentemente, li um livro que falava da resistência anti-fascista em Portugal durante os anos 60 e 70. Aquelas pessoas distribuíam panfletos, pintavam mensagens anti-ditadura nas paredes, e faziam reuniões com centenas de pessoas nas Universidades. E quando um estudante foi assassinado, eles não responderam com violência. Intensificaram a luta, pondo em perigo a sua própria vida. E sabem que mais? Resultou. O 25 de Abril chegou e a ditadura chegou ao fim. Estas pessoas lutavam por uma causa em que realmente acreditavam e percebiam que a sua maior arma era a palavra.

Os jovens de Londres não lutam por uma causa justa. Eles não lutam por causa nenhuma. Eles não lutam de todo. Eles matam, roubam, incendeiam e destroem a vida de pessoas tão pobres como eles. Pessoas essas que trabalham honestamente por uma vida melhor. O problema não é a pobreza. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, explicou-o bem:


É exactamente isto que se passa, sem tirar nem pôr. E não venham dizer que é por serem pobres. Não se venham armar em coitadinhos. Fizeram um escolha. Agora têm que sofrer as consequências. Porque ser pobre não é desculpa.

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